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O VTEC da Honda é considerado por muitos especialistas como um dos melhores motores encontrados no mercado atualmente. Significa Variable Valve Timing and Lift Electronic Control, ou traduzido, Distribuição Variável de Válvulas Controlada Eletronicamente, e a sua eficácia, eficiência e desempenho fazem jus a tudo o que esperamos dos produtos criados no país do Sol Nascente.
História do VTEC

O sistema VTEC foi desenhado por um trabalhador do departamento de design de produto da Honda, Ikuo Kajitani. Foi-lhe encarregue a missão de superar em potência e eficiência os motores JDM da concorrência, ou seja, Toyota, Nissan e Subaru.
No entanto, estas não foram todas as exigências feitas ao senhor Kajitani. Foi-lhe pedido que extraísse nem mais nem menos do que 160 cv de um motor de 4 cilindros em linha de apenas 1.6 litros, o que constituiria um marco para a época. Basicamente, estes números foram escolhidos porque permitiriam atingir a relação de 100 cv por litro, quase 30% mais potência do que a média da concorrência.
O corpo humano: A inspiração que deu a faísca ao VTEC

Kajitani começou a trabalhar na missão que lhe tinha sido confiada e não parou de matutar até chegar a um ponto que marcaria um antes e um depois na história da indústria automóvel. O japonês visualizou um motor, com a sua árvore de cames e as suas válvulas, e comparou-o com o sistema respiratório humano.
Mas voltemos aos motores. Todos os motores de combustão standard são compostos por um bloco metálico e pistões que sobem e desces como resultado da explosão do combustível com o oxigénio… E toda esta mistura é regida pela árvore de cames, que determina a entrada de combustível e a saída de gases. E todo este conjunto deve mover-se mais rapidamente e consumir mais recursos quanto maior for a exigência feita ao motor. Foi todo este processo que levou Kajitani a pensar que os seres humanos funcionam exatamente da mesma maneira a nível metabólico.
Quando estamos em repouso, ou não estamos a realizar uma atividade muito exigente, as nossas pulsações são baixas. O nosso coração bate a um ritmo baixo e distribui oxigénio por todos os órgãos para o seu correto funcionamento. E consumimos pouco oxigénio. Prova disso é que respiramos a um ritmo lento e constante. No entanto, quando corremos ou fazemos exercício intenso, o nosso pulso acelera, uma vez que os nossos músculos exigem mais oxigénio para poder oxidar mais açúcares e transformá-los em energia. É nessa altura que a nossa respiração acelera, por vezes sentindo mesmo falta de ar. E a nível pulmonar, os pulmões abrem-se para captar uma maior quantidade de ar e fornecer o máximo de oxigénio possível ao corpo. Este processo é conhecido como «broncodilatação»
1989. Chega o primeiro motor VTEC

Então, se o nosso corpo é sábio e permite captar mais ou menos oxigénio dependendo da tarefa que estamos a realizar… Porque não levar essa ideia para o funcionamento de um motor?
O primeiro motor VTEC foi produzido pela Honda em 1989. Foi o coração do Integra. A proeza alcançada pela Honda foi tanta que, desde então, ganhou praticamente 90% dos prémios de engenharia automóvel.
O motor, chamado internamente de B16A, era um DOHC (Dupla Árvore de Cames à Cabeça). Em breve chegaria ao Civic, ao CRX e, posteriormente, seria aplicado ao V6 do Acura NSX.

Funcionamento do motor VTEC
Tal como vimos noutros sistemas de distribuição variável, o desafio de muitos fabricantes por volta dos anos 90 era alcançar a máxima eficiência nos motores de combustão para reduzir o consumo e as emissões nocivas. Todos estes fabricantes chegaram à conclusão de que a melhor forma de resolver esta questão era trabalhar sobre a árvore de cames.
A árvore de cames abre e fecha as válvulas da cabeça do motor, permitindo a entrada de combustível e ar por um lado e facilitando a saída dos gases de escape pelo outro. Mas claro, como as cames são fixas, independentemente da velocidade a que este processo seja feito, a ordem de abertura e fecho será sempre a mesma. Ou seja: o mesmo conjunto de válvulas vai abrir e fechar ao mesmo tempo.
Alterando o ritmo das válvulas
Enquanto em marcas como a BMW vimos que a forma de manipular a árvore de cames a nosso favor era através de um sistema intermédio, o VANOS, a Honda, por sua vez, teve uma solução muito mais japonesa e, portanto, mais simples e barata.
Cada came que compõe a árvore de cames de um sistema VTEC é tripla. Estas três peças rotativas, a que podemos chamar «lóbulos», têm dois tamanhos diferentes. No centro encontramos um lóbulo grande e, tanto à esquerda como à direita, encontramos outro lóbulo, mas muito mais pequeno.
Vantagens do motor VTEC
A baixas rotações: Apenas atuam os lóbulos pequenos da árvore de cames, que abrem menos as válvulas e permitem um melhor aproveitamento do combustível.
A altas rotações: O conjunto de lóbulos bloqueia e forma uma única came em que a peça que dita o ritmo é o lóbulo grande, ao contrário do caso anterior. Durante este processo, as válvulas abrem-se mais e mais depressa, permitindo que o motor experiencie um enorme aumento de rendimento quase de forma instantânea. Isto produz também um som muito curioso e caraterístico deste motor em particular, o que gerou uma multidão de entusiastas automóveis que nutrem verdadeira admiração por estes motores japoneses.
Eficiência do motor VTEC
Graças a este mecanismo simples, o motor da Honda alcança uma enorme versatilidade em inúmeras situações. A baixas rotações é verdade que muitos motores da concorrência igualam ou superam esta tecnologia, mas a altas rotações, a Honda mantém-se no topo da tabela com este sistema de distribuição que, mais do que eficiente, podemos dizer que é simples.
O sistema VTEC não utiliza sistemas intermédios e não baseia o seu rendimento em elementos que encarecem o preço final do carro e que são suscetíveis de se deteriorar com o tempo. Isto, juntamente com a enorme entrega de potência que consegue desenvolver na parte alta do conta-rotações, fez com que a invenção do senhor Kajitani marcasse um antes e um depois na história do automobilismo.
Variações do motor VTEC
Como seria de esperar, durante os mais de 30 anos desde que a Honda lançou esta tecnologia no mercado, surgiram inúmeras variações e evoluções deste motor. Algumas das mais importantes são as seguintes:
i-VTEC
Significa VTEC Inteligente (intelligent-VTEC). Combina o sistema VTEC tradicional com outra tecnologia desenvolvida pela Honda, o VTC (Distribuição de Controlo Variável).
Foi introduzido em 2001 na gama de motores de 4 cilindros em linha. Ao sistema VTEC junta-se um ajuste eletrónico controlado pela ECU do veículo que permite atrasar a abertura das válvulas para melhorar o rendimento e o consumo a baixas rotações. Pelo contrário, o sistema avança a abertura das válvulas a médio regime para melhorar o binário motor.
i-VTEC i
O funcionamento é igual ao processo que vimos no caso anterior, mas acrescenta um sistema de injeção direta. Foi introduzido em 2004 no Honda Stream com um motor DOHC a gasolina de 2 litros de cilindrada.
VTEC Turbo
A evolução batizada como VTEC Turbo é uma implementação criada em 2014 como uma transformação mais madura da tecnologia VTEC. Entre as suas caraterísticas destacam-se o uso de injeção direta de gasolina, turbocompressores, dupla árvore de cames VTC e VTEC e a melhoria da evacuação dos gases de escape para aumentar o rendimento do propulsor.
Esta tecnologia também elimina o fosso do turbo, dando ao condutor mais precisão no controlo do veículo e melhorando assim o tempo de resposta ao pedal do acelerador. Viu a luz no Honda Civic Type R e tem certificação de emissões Euro 6, pelo que é um motor que ainda tem muita vida pela frente.

